Bruno Taurinho

Encher os pulmões de ar e os olhos de cor

Ser marcado por acontecimentos que você nunca vai se lembrar

Ser retirado de um lugar

quente e molhado

para ser tocado

por desconhecidos

enquanto chora

Ouvir sem as barreiras adiposas dos últimos nove meses

E precisar se alimentar por um lugar que não seja seu umbigo

Sentir vontade

de voltar

para esse lugar

Quente e molhado

E concluir que não dá

Pois o nascimento não é um presente, é um dever

E a única maneira

de sair

é atravessando

a barreira.

Bruno Taurinho

Bruno Taurinho

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